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terça-feira, 5 de abril de 2022
domingo, 22 de agosto de 2021
sábado, 28 de dezembro de 2019
Lígia Fascioni sobre as maravilhas de um abismo social pequeno
A maioria das pessoas que conheço que vêm a Berlin pela primeira vez ficam encantadas com 3 coisas: a espantosa quantidade de área verde; o excelente transporte público; e a segurança.
E quase automaticamente, vem a pergunta: dá para ganhar bem trabalhando aqui?
Aparentemente, uma coisa não tem nada a ver com outra, mas penso que a conexão é mais profunda do que parece à primeira vista; eu explico.
Berlin não é um parâmetro muito válido porque é considerada uma cidade pobre para os padrões alemães, uma vez que aqui é a sede administrativa do país e não possui muitas indústrias. Mesmo assim, dá para dizer uma coisa que vale para o país todo e que talvez deixe muita gente aí no Brasil chocado: a diferença entre o salário de um operário (ou caixa de supermercado) e de um diretor de empresa é, no máximo, 6 vezes. Isso inclui funcionários públicos de alto escalão, professores universitários doutores, juízes e médicos. É claro que estou falando da maioria da população alemã (um diretor de uma multinacional com 30 mil funcionários espalhados pelo mundo obviamente ganha muito mais, mas não representa a média da qual estou falando, que é de empresas pequenas e médias).
Um amigo comentou que o mesmo acontece na Suécia; um professor universitário, com doutorado, ganha, no máximo 2 mil Euros líquidos. Para se ter uma idéia, um almoço no restaurante universitário lá custa 8 Euros. Não é fácil, né? No entanto, esses países são os que se considera como tendo a melhor qualidade de vida.
Então, imagine: é como se no Brasil, o rendimento máximo bruto de qualquer pessoa que vive de salário fosse R$ 5 ou 6 mil reais. Disso, quase 40% ficam retidos para os impostos, aposentadoria e plano de saúde obrigatório. Pois é, não sobra muito.
Por isso é que aqui a gente não vê um funcionário público, seja ele quem for, se achando o Sr. Rei da Cocada Preta (no Brasil, nosso apartamento ficava perto do ministério público; era de dar nojo a empáfia de algumas pessoas que trabalham lá). Os alemães não têm muita sobra no orçamento, como se pode ver; mas adoram viajar e ler. Então, lavam e passam a própria roupa, fazem a própria comida e limpam a própria casa.
Aqui não tem pet shop para dar banho em cachorros; os próprios donos se encarregam disso. A maior parte das pessoas compra seus móveis na IKEA e aluga um carro ou reboque para levar a encomenda para casa. Para montar uma cozinha inteira, por exemplo, é só ler o manual de instruções; tem que botar a mão na massa mesmo.
Os professores da minha escola são altamente qualificados (a escola é uma das que melhor paga); pois todos levam marmita e ninguém acha feio. Andam o máximo que podem de bicicleta e, no inverno, de transporte público. Os que têm carro usam modelos menores (aquelas horrosidades gigantes com vidro fumê e ar condicionado ligado no máximo quase não tem aqui, para minha felicidade). Outro efeito colateral é que o trânsito é excelente; a velocidade máxima permitida nos bairros é 30 km/h e eu nunca vi engarrafamentos na hora do rush.
Os prédios não têm porteiro e uma vez por semana vem uma empresa terceirizada varrer as escadas. Quando chega uma encomenda e não estou em casa, sempre tem um bilhetinho na caixa do correio avisando com qual vizinho está o pacote; é só ir lá pegar (e aproveitar para fazer um social). Às vezes a gente também fica com correspondência de vizinhos.
É claro que tem gente rica também (geralmente donos de grandes negócios). Mas eles jamais destratam serviçais, simplesmente porque aqui não há subcategorias menores, como no Brasil. As pessoas ricas também metem a mão na massa, por uma questão de filosofia mesmo.
No Brasil, ainda trazemos indícios da cultura escravagista; todo mundo quer ter alguém para mandar (e, de preferência, humilhar e maltratar, para mostrar quem é que manda). O que puder ser terceirizado, será. As pessoas contratam outras para fazer as coisas mais básicas, de levar cachorro para passear até levar o lixo para a rua; e isso é em todos os níveis.
Uma amiga brasileira que mora aqui me contou das chateações que uma alemã que morou no Brasil passou porque gostava de cuidar do próprio jardim (realmente, eles adoram). A questão é que a moça morava no Alphaville, condomínio de alto padrão em São Paulo; frequentemente era motivo de chacota porque uma pessoa do nível dela (adoro isso de “nível de pessoa”; só que não) podia muito bem pagar um jardineiro. É a cultura da sinhazinha moça e do senhor de engenho levada às últimas conseqüências.
Fico triste quando vejo a vida girar em torno na ostentação no nosso país; como as pessoas não têm vergonha de ganhar 30, 40, até 50 vezes mais que outras (sendo que boa parte é funcionária pública) e ainda acham isso o máximo; ficam esnobando o sucesso como se fosse mérito próprio, e não uma distorção do sistema. É um tal de quem consegue ganhar mais para comprar um carro maior, mandar o máximo que puder com uma prepotência totalmente alheia à realidade das coisas, que chega a doer. Seria apenas ridículo, se não fosse tão dramático.
A mordomia é irresistível (quem não gosta), mas qual é o preço disso tudo?
Só para terminar fazendo a conexão com o assunto lá do começo: se a diferença de salários não é grande (e olha que a Alemanha é a maior economia capitalista da Europa), não tem porque haver essa violência toda que a gente experimenta no Brasil.
Aqui tem gente pobre, mas não tem favela. O transporte público funciona bem porque ele é essencial; até os funcionários públicos mais graduados dependem dele para se locomover. As áreas verdes são muitas e bem cuidadas porque não são privilégio de bairros chiques; tem na cidade toda, para todo mundo.
Fico vendo as notícias do Brasil e fico pensando: não seria a hora das pessoas acordarem e passarem a viver como ricos de verdade?
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
Pill #16
News is what someone wants suppressed. Everything else is advertising.
anonymous (wrongly attributed to George Orwell)
quarta-feira, 27 de março de 2019
Pérolas de sabedoria de revistas femininas antigas
"Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas" – Jornal das Moças, 1957
"Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto, sem questioná-lo" – Revista Cláudia, 1962
"A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa" – Jornal das Moças, 1965
"Se o seu marido fuma, não arrume briga pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda a casa" – Jornal Moças, 1957
"A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher por não ter resistido às experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, exatamente como ele a idealizara" – Revista Cláudia, 1962
"Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu" – Revista Querida, 1954
"O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio. Ele é quem decide - sempre" – Revista Querida, 1953
"Sempre que o homem sair com os amigos e voltar tarde da noite, espere-o linda, cheirosa e dócil" – Jornal das Moças, 1958
"É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido" – Jornal das Moças, 1957
"O lugar de mulher é no lar. O trabalho fora de casa a masculiniza" – Revista Querida, 1955
"A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas". – Jornal das Moças, 1959
via Cabide Vintage
"Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto, sem questioná-lo" – Revista Cláudia, 1962
"A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa" – Jornal das Moças, 1965
"Se o seu marido fuma, não arrume briga pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda a casa" – Jornal Moças, 1957
"A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher por não ter resistido às experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, exatamente como ele a idealizara" – Revista Cláudia, 1962
"Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu" – Revista Querida, 1954
"O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio. Ele é quem decide - sempre" – Revista Querida, 1953
"Sempre que o homem sair com os amigos e voltar tarde da noite, espere-o linda, cheirosa e dócil" – Jornal das Moças, 1958
"É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido" – Jornal das Moças, 1957
"O lugar de mulher é no lar. O trabalho fora de casa a masculiniza" – Revista Querida, 1955
"A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas". – Jornal das Moças, 1959
via Cabide Vintage
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
Clarice Falcão contra os clichês antiabortistas
Galera,
Ontem postei aqui na página que sou a favor da legalização do aborto. Fiquei um pouco chocada com o nível do debate nos comentários. Não tanto pelo conteúdo (o assunto é polêmico e é natural que as opiniões divirjam) quanto pela forma. Li alguns comentários no estilo “vocês são assassinos”, “na hora de abrir as pernas foi bom”, “sua mãe deveria ter te abortado” e um impressionante e direto “retardada.” (admiro esse poder de síntese).
Vamos por partes. Em primeiro lugar, não me considero uma assassina. Também não considero assassinas as mulheres que optam por fazer um aborto. Não acredito que a vida comece na fecundação — se fosse o caso, metade dos seres humanos morreria nos primeiros dias de vida já que 50% dos embriões não “vingam”. As atividades cerebrais do feto só começam a existir a partir do segundo mês de gestação e o córtex (a parte do cérebro que nos permite sentir dor) só se desenvolve a partir da vigésima sexta semana. Mas, acima de tudo isso, as mulheres abortam. Independente do aborto ser legal. Elas tomam remédios, procuram clínicas clandestinas, tentam remover o feto com cabides. A cada dois dias uma brasileira morre tentando abortar clandestinamente (em geral, mulheres pobres). Se isso não é um problema de saúde pública, eu não sei o que é.
“Na hora de abrir as pernas foi bom”. Olha, primeiramente nem sempre é bom né miga. Segundamente, nenhum método contraceptivo é 100% seguro. E, pra você que acha que se o aborto for legalizado vai virar “a festa do aborto”, vale dar uma pesquisada nos lugares que já legalizaram. No Uruguai, por exemplo, o número de abortos diminuiu drasticamente após a descriminalização. Isso sem contar nos estudos que apontam uma diminuição enorme da criminalidade em estados americanos dezoito anos depois do aborto ser legalizado.
Quanto à sugestão do aborto retroativo por parte da minha mãe, se ela não quisesse que eu nascesse ou não tivesse condições de me criar eu gostaria que ela pudesse ter abortado em uma clínica legalizada e limpa com profissionais competentes e cuidadosos.
E, finalmente, minha resposta para o “retardada”: “cabeça de melão.”.
No mais, desculpa o textão.
sábado, 30 de dezembro de 2017
O que há de errado com o sistema de educação?
O Medium responde num raio X muito interessante da educação brasileira.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
terça-feira, 7 de novembro de 2017
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
A guerra às drogas é uma estupidez
Este texto, que é sensato apesar de ser ancap, dá quatro motivos disso.
domingo, 29 de outubro de 2017
sábado, 16 de setembro de 2017
Pill #7
Defending something just because it's a tradition is saying something old must be kept only because it's old; it's disobeying the good cliché of always trying to improve.
via Least I Could Do
Cristãos não-homofóbicos, até que enfim
Este relato (cliquem para fotos dos cartazes) do Facebook merece ser guardado n'A Telha.
Resolvi escrever este texto sabendo que serei incompreendido e criticado. Mas sinceramente, não estou nem aí! Sou casado, pai de duas filhas e completando 46 anos em alguns dias, não tenho mais nada a provar para ninguém.
Fui convidado por meu amigo José Barbosa Junior para junto com um grupo de cristãos de várias igrejas estar na parada gay para uma ação simples: iríamos empunhar cartazes que demostrassem o amor de Cristo por todos que estivessem ali e ao mesmo tempo mostrar a nossa discordância com os pastores midiáticos tem falado sobre o tema.
Nosso lema já dizia a que veio “Jesus cura a homofobia” e minha ação era simples, empunhar o cartaz que escolhi “Desculpe-nos pela forma que a “igreja” trata vocês” e sorrir o máximo possível (quem me conhece sabe que eu não sou tão bom nisso! Rsrsrsrs).
A reação veio rápida e prosseguiu durante todo o dia, vários sorrisos em retribuição de muita, mais muita gente, sinais de positivo, muitos abraços dados e recebidos e tantos outros chegavam a chorar quando abraçados e ouvir um simples “Jesus ama você”. Foram tanta emoção, tantas expressões de gratidão apenas por estarmos ali. Mas quem mais se emocionava era eu, pensando o quanto Deus amava todas aquelas pessoas e que entre nós cristãos e elas não há diferença alguma, somos todos iguais perante Deus e que a única regra é o amor.
Pra fechar o dia vi que uma “Drag Queem” [sic] toda paramentada me olhava com olhos lacrimejantes e visivelmente emocionada com o meu cartaz, fiz um sinal para ela se aproximar e ela abraçou a minha esposa e depois me abraçou com força, agradecendo por estarmos ali e falando o quanto ela sabia que era amada por Deus. Nunca fiz tão pouco e recebi tanta gratidão.
Resumo: Somente 15 pessoas conseguiram de forma tão simples atingir muitas, mas muitas pessoas, um dos trios elétricos chegou a parar e nos agradecer e gritar nosso lema bem alto, as entrevistas se sucederam o dia inteiro, perdi a conta, um site chegou a nos colocar como um dos destaques da parada. Várias outras mídias falaram da nossa participação de forma elogiosa.
Muitos na passeata nos aplaudiam e agradeciam de longe, ou de perto mesmo, fazendo de tudo para demostrar carinho por nossa atitude. Creio que reconheceram naquele pequeno grupo um amor infelizmente negado pela maior parte da igreja. Fiquei sonhando como seria se a Igreja expressasse o amor de Jesus de forma simples e sem preconceitos.
Foi um trabalho de formiguinha, mas que me fez acreditar que podemos sim reverter a situação atual e que o evangelho de Jesus que é simplesmente AMAR AO PRÓXIMO ainda tem espaço nesta geração. É só começar!
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
sábado, 26 de agosto de 2017
Of (post-)modern totalitarianism
Zizek traz dois pontos importantes: a passivo-agressividade pós-moderna é pior que a agressividade tradicional, e a cartilha PC, na obsessão pelo respeito, acaba por esfriar as relações humanas.
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
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